domingo, 13 de junho de 2010

PÓS-ESCRITO

Pouco depois (depois que muitas portas foram fechadas), o veículo movia-se, vagarosamente, naquela vastidão de trevas e luz. Quase ninguém percebeu o evento epifânico que lançara pela imensidão do cosmo a boa nova. Apenas ela, tão acostumada à solidão em seu Explorer_9, tão familiarmente íntima do pó de estrelas que sempre se fixou na sola de suas botas, apenas ela contemplou, em sua singularidade, o espectro dionisíaco, um tremor pequeno em seu coração.
para Fabiula Neubern

FERNÃO GOMES

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Olá, pessoal. Vou retomar as postagens de minhas construções discursivas, textos escritos num velho computador. Se apreciarem, maravilha. Boa leitura.




PORTAL



Ela estava sentada displicentemente no ponto extremo de uma coluna, a perna roçando o capitel dórico, logo abaixo. Lia as primeiras linhas do Castelo de Otranto, enquanto o vento quase imperceptível do entardecer movia, de leve, seus cabelos longos. De repente, sem que ela percebesse, a criatura pousou na coluna ao lado e permaneceu imóvel, contemplando a nudez de seu pé, que balançava como um pêndulo levíssimo.



FERNÃO GOMES

sábado, 29 de maio de 2010

ESTÉTICA

Vivi hoje uma experiência extrema. Na aula de Estética (História da Arte-FAAP), realizamos um seminário cujos eixos foram: O mundo como vontade e representação, de Schopenhauer, e A origem da obra de arte, de Heidegger. E fechamos com o Aleph, de Jorge Luiz Borges. Um soco no estômago. Não sei ao certo como consegui chegar em casa. Ainda estou assimilando o evento, porque foi realmente um evento. Amigos invisíveis, o negócio é o seguinte: a redenção da humanidade é a arte, não há dúvida quanto a isso. A experiência estética é a própria Divindade. E nesse momento, minha sugestão pra vocês, pra todos nós, é o silêncio. Apenas o silêncio.
FG

quinta-feira, 20 de maio de 2010

VOLTAMOS



Olá. Depois de um ano, acesso, outra vez, esse ciberespaço. Agora percebo que havia criado em mim um vínculo emocional com esse lugar cultural. Isso me faz lembrar que (e é curioso) em alguns casos só percebemos que sentimos saudade quando revemos o objeto causador da saudade. Mas o que interessa é que estamos de volta. Eu e minha companhia de espetáculos. Fernão Gomes e seu teatrinho mambembe. Na medida do possível, vamos fazer a manutenção desse canteiro de obras. Por enquanto, deixo um pequeno sinal de afeto. Abraços.






INFÂNCIA
para Manuel Bandeira


O trem apitou outra vez
Como um aviso que percorre a madrugada
E, lentamente doppleriano, foi levando minha infância embora

FERNÃO GOMES







quarta-feira, 27 de maio de 2009

DEMÔNIOS

Olá. Aqui está outro texto de minha coletânea Construções Discursivas. Espero que provoque reflexões como os anteriores já postados. Abraços. FG


Depois de ouvir relatos sobre vampirismo e outras criaturas, o sujeito levantou-se, quase indignado, rindo ironicamente, e disse aos companheiros que ali estavam: “Como podem perder tempo com essas fantasias pueris? Deveriam ocupar suas vidas com algo concreto e verdadeiro como isto.” Exibiu, orgulhoso, um crucifixo, pendurado ao pescoço. “Ora, francamente.”
E saiu do recinto, fechando ruidosamente a porta atrás de si.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

VERROCCHIO



Olá! Esta é uma das obras mais amadas de Andrea del Verrocchio, artista renascentista italiano. Chama-se David e deve ser apreciada sempre. O Renascimento, como dizem os meus mestres, foi um dos períodos mais gloriosos de toda a História. E é, de fato, uma época absolutamente admirável. Apreciem, criaturas, apreciem. Abraços. FG

quinta-feira, 23 de abril de 2009

ARTE CONTEMPORÂNEA


Olá, pessoal. Um pouco de arte contemporânea brasileira pra todos. Trabalho da Pri Corbo. Abraços. FG